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Tag: Política

Vote Fulano de Tal (ou o Candidato do Bairro)

Eleições sempre nos trazem uma novidade criada durante os 4 anos (ou 2 se você não estiver no DF) entre um pleito e outro. Este ano além da propaganda política dupla sertaneja (2 candidatos pedindo voto juntos) chama a atenção o número de candidatos desconhecidos que aparecem falando o número em minguados segundos. São os candidatos do bairro, da rua, da esquina, ou seja: aquele seu conhecido (ou conhecido de um conhecido).

No Brasil, as eleições para os cargos legislativos, seja Deputado Distrital (ou Estadual), Vereador ou Deputado Federal são chamadas de proporcionais, exceto para Senadores. Funciona mais ou menos assim: você vota no candidato Fulano de Tal do Partido da Renovação Política Brasileira (PRPB), mas seu voto não foi necessariamente para o ilustre Fulano de Tal. Primeiramente seu voto foi para o PRPB, que somados os votos de todos os seus candidatos vai ocupar um determinado número de cadeiras naquele cargo. Depois disso é que os candidatos do PRPB vão ser classificados de acordo com o número de votos que receberam individualmente e o Fulano de Tal tem a chance de ocupar uma das vagas do partido.

Aqui vem o pulo do gato! Os partidos estão abrindo vagas para candidaturas de pessoas sem nenhuma expressão ou trajetória política de olho nos votos que a vizinhança daquele candidato pode trazer para a legenda. Você pode não querer votar naquele candidato picareta que foi pego com a mão no maço de dinheiro, mas que mal tem em votar naquele seu vizinho da rua de baixo, ou naquele cara que joga a pelada de quinta com você? Afinal, eles estão perto da sua realidade, conhecem seus problemas, e tem mais chances de, se eleitos, fazer algo pela vizinhança, não é? NÃO!

Essas pessoas só serão eleitas com muita, mas MUITA sorte. Mas o voto que você deu para o Fulano de Tal, que é do mesmo partido do picareta que você não votaria nem pintado de ouro, ajudou a eleger quem você não votou, porque ele foi para a legenda, e no final das contas o picareta tem muito mais visibilidade e votos que o cara que só o seu bairro conhece.

Portanto, nestas eleições tenha muito cuidado com as suas escolhas, e saiba que, mesmo sem votar neles, você pode estar ajudando a eleger aquela corja que depois você vai ficar se perguntando como teve gente que votou nessas pessoas. Fica a dica!

Foto: scragz

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Por Que a Monarquia Não Volta?

Atenção: Este post possui altas doses de ironias, verdades e desabafos. Caso queira saber o que penso sem delongas, veja meu primeiro comentário.

Vivemos em uma República Federativa, em Estado de Direito, e sob princípios democráticos. Muita gente morreu para que pudessemos chegar a este ponto, talvez mais morreram por causa da democracia e do Estado de Direito que por causa da República, mas de uma forma ou de outra, são conquistas que fazem parte de nossa história. Mas eu quero viver em uma MONARQUIA ABSOLUTISTA! Não, eu não estou ficando doido, e vou te mostrar.

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O povo brasileiro comparece às urnas a cada 2 anos (ou a cada 4 se for eleitor do DF) para eleger pessoas teoricamente iguais em direitos e deveres para que sejam representadas pelos próximos 4 anos (ou 8 para Senadores). Além disso, quase todas as pessoas com condições mentais suficientes (clinicamente falando) podem votar. As exeções são poucas. Além disso, o povo pode propor leis para os legisladores (aqueles eleitos do início do parágrafo) que podem aprová-las.

Outra diferença entre a Monarquia Absolutista e a República é a não-hereditariedade dos cargos públicos. Ou seja, se o Presidente morre ou renuncia ao cargo, seus herdeiros não tem direito de reclamá-lo para si. Isso vale para servidores públicos, agentes políticos, militares e todos aqueles que exercem qualquer função pública. Ainda falando em cargos públicos, nossa Constituição prevê que os cargos públicos devem ser preenchidos por aqueles que foram aprovados em concursos públicos para os respectivos cargos, e também proíbe o nepotismo – contratação de pessoas com certo grau de parentesco – no serviço público.

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E já que falamos em Constituição, devemos lembrar que ela é a lei máxima do nosso país. Nem os tratados internacionais que o Brasil assinou estão acima dela. E essa mesma Constituição deixa bem claro no seu 1º artigo: “Todos são iguais perante a lei”. Tomamos essa idéia emprestada da Revolução Francesa, que pregava igualdade, liberdade e fraternidade, exceto sob a guilhotina. Esquecemos de tomar emprestado o manual de civismo dos franceses (se bem que não deve ser muito melhor que o nosso).

Mas vejam bem a realidade do nosso país. Aqui, os políticos são conhecidos pelo sobrenome: Calheiros, Magalhães, Sarney, Roriz, Neves, entre vários outros espalhados Brasil a fora. Alguns deles são chamados de “coronéis”, não em referência àqueles que construíram uma carreira nas Forças Armadas ou nas Polícias Militares, mas aos de um tempo onde o chefe de Estado se sentava em um trono. Aqueles coronéis assumiam o título por indicação de alguém bastante influente em uma região, e seu poder era transmitido aos seus herdeiros. Hoje em dia, os “Filhos”, “Netos” e afins continuam recebendo o poder político de seus ascendentes, e se perpetuando no cenário político.

As nomeações políticas também correm soltas no nosso Império, digo, no nosso País. Na Câmara Legislativa do DF, onde nada se produz além de leis inconstitucionais e CO2 dos carros oficiais, o número de servidores comissionados é muito, mas muito acima do que é permitido pela pobre e desrespeitada lei. E tenho certeza que isso acontece nos seus Estados, caro leitor.

Outro aspecto que comumente é atribuído ao regime republicano e democrático, e que os políticos e juízes adoram citar é o da separação dos poderes. Ele foi sintetizado por Montesquieu no século XVIII. Mas se olharmos para a nossa realidade, vemos que o Presidente precisa mendigar apoio no Congresso Nacional para poder governar o país, e agora também vem atuando como bombeiro de crise, sempre tentando abafar incêndios. Isso é controle de um poder pelo outro, de forma extra-constitucional.

Falando em poder, o Judiciário do nosso país nunca esteve tão desacreditado. A situação é tão trágica, que juristas não têm mais o menor medo de dizer que o Judiciário brasileiro é preconceituoso contra quem não tem poderes econômicos ou políticos. Aqui no DF, por exemplo, o resultado do julgamento de um ex-governador (que provavelmente voltará ano que vem) era conhecido por metade da população antes mesmo de acontecer. E não estou falando em saber se o réu seria condenado ou absolvido (o que aconteceu), estou falando em saber o placar e os votos dos Desembargadores que livrariam a cara do político.

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Agora, a crise do Senado. Agora não, pois esse assunto parece os furacões do atlântico norte americano: vem de tempos em tempos e causa grandes estragos. Dessa vez, o Presidente da Casa está escapando de mansinho, como quer o Presidente Lula (já falei da separação dos poderes?). O Conselho de Ética, claro, não tem ética nenhuma, a começar por seu Presidente de encomenda. Alguém já viu em alguma escola alguém de uma sala entregar a cabeça de um colega de graça para a turma do lado? Eu, nunca. É muito claro que nada vai acontecer no Senado, e todos os eleitos, com ou sem votos, terminarão seus mandatos nas calmas águas da República. E ainda somos obrigados a ver todos os dias o show de merda no ventilador que tomou conta “cumbuca emborcada”. Parecem verdadeiras lavadeiras.

Chego ao final e pergunto a você: nossa República capenga serve para alguma coisa? Sinceramente, acho que não. Todos os dias nos empurram goela abaixo que vivemos em um país democrático, que vivemos sob princípios republicanos, mas tudo que vejo é um Império de mentiras. Vejo o mesmo coronelismo que rompeu com Dom Pedro II quando enxergou melhores oportunidades de faturamento com a República. O mesmo panelismo que existia no início do século passado. Em nome da democracia temos que sustentar uma cambada de pseudo-alfabetizados a preço de ouro. Vejo nossa Constituição sendo usada como papel higiênico pelas pessoas que mais deveriam respeitá-la (e muitas delas redigiram-na).

Você por acaso sabe quais são as experiências e qualificação do candidato a Deputado Federal em quem você votou? Você contrataria uma pessoa para trabalhar sem sequer saber se ela concluiu o Ensino Fundamental? Saiba que existem Deputados que não sabem nem quantos metros de fronteira o Brasil faz com o Chile (na verdade, não faz). Mas você paga fortunas de celular, correspondência, moradia, auxílio-paletó, combustível, motorista, e uma trupe de assessores e fantasminhas para esses pobres coitados. Só para constar, um médico ao se formar já tem mais de 18 anos de estudo, e seu salário não faz nem cócegas no salário de um Parlamentar. Quem traz mais benefícios para a nossa sociedade?

congresso_nacional

É pensando de forma racional, nos benefícios e malefícios de cada ente da nossa sociedade, que realmente vamos conseguir sair desse sistema político arcaico, herdado das práticas medievais portuguesas, dos favores, do pendurismo, da hereditariedade. Poderemos deixar de ver nossa Constituição ser rasgada todos os dias. Pense nisso.

Imagens:
1ª: stuartpilbrow
2ª: killfile
3ª: hiabba
4ª: leonelponce

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O Brasil está doente. Socialmente.

Diariamente vemos o noticiário policial tomar cada vez mais espaço nos jornais. Vemos políticos fazendo o que bem entendem com o dinheiro do povo e depois aparecerem com a maior cara-de-pau falando que estão defendendo o nosso país, que trabalham duro por um Brasil melhor. Todos os dias somos feitos de bobos e já nem nos espantamos. E a culpa disso é a sociedade arruinada que estamos mantendo, como um castelo de cartas prestes a desmoronar.

A culpa não é simplesmente dos políticos que estão pouco se lixando para quem os elegeu, tampouco da polícia que não consegue proteger as ruas de forma eficaz. Ou ainda do diretor do hospital que alega falta de médicos ou medicamentos para atender pacientes que se humilham nas filas para não morrerem doentes. A de verdade passa por um conjunto de leis que a cada dia enfraquece o poder do Estado sobre os indivíduos, passa pelo povo que vota nos parlamentares que votam e aprovam essas leis, e passa por um povo que vê o desrespeito às leis como algo completamente aceitável.

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Hoje passou no DFTV uma matéria sobre a falta de respeito às calçadas de Brasília, assim como outra matéria exibida no Jornal Nacional. As calçadas são usadas para dispor mesas, plantar árvores, extender o quintal de casa e até de estacionamento. O direito do pedrestre de poder andar sem ter que disputar espaço com os carros na pista fica prejudicado. E todos os que são flagrados sempre tem uma desculpa na ponta da língua para justificar seus erros.

No Correio Braziliense de domingo (14/06/2009) foi exibida uma matéria sobre o consumo de drogas nas quadras residenciais do Plano Piloto de Brasília. Jovens de classe média alta esbanjando tranquilidade ao fumar maconha em frente a parquinhos infantis e quadras de esporte, como se estivessem fumando um cigarro comum. Pelo que foi descrito, já virou uma verdadeira praga. E para pirorar tudo, os próprios usuários se transformaram em pequenos traficantes, que carregam pequenas quantidades de droga para outros usuários.

A Secretaria de Segurança Pública alega que é muito difícil manter alguém preso por causa da lei 11.343 de 2.006, a punição para quem é enquadrado como consumidor de entorpecentes se restringe a:

Art. 28.  Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes penas:

I – advertência sobre os efeitos das drogas;

II – prestação de serviços à comunidade;

III – medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.

Além de multa e internação e tratamento em estabelecimento de saúde. Segundo a Secretaria, enquadrar os usuários como traficantes é quase impossível. Essa lei de 2.006 veio aliviar bastante uma lei de 1.976 que previa prisão de seis meses a um ano para o mesmo crime. Aqui pode-se ver uma lei que foi criada à luz da Democracia, mas que acabou por piorar muito as condições da sociedade, pois expõe as crianças da cidade ao tráfico, implementa o consumo de drogas a um número cada vez maior de pessoas, aumenta a criminalidade e ainda tira o poder que o próprio Estado precisa para manter uma sociedade em equilíbrio.

Só como ilustração, segundo a SSP-DF, 65% dos homicídios registrados no DF tiveram alguma ligação com entorpecentes. Estamos falando em mais de 300 vidas que poderiam ter sido poupadas. No caso das calçadas, vemos a própria sociedade pisando na lei, e que prejudica a qualidade de vida de outras pessoas. No das drogas, vemos a população pagando com vidas os efeitos de uma lei que não serve para nada, além da produção de registros nas Delegacias.

Mas sempre existe uma forma de tornar o que temos hoje em algo melhor. Na revista Veja do mesmo domingo (14/06/2009), foi publicada uma entrevista do ex-Prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, que governou a cidade com a política de tolerância zero, e conseguiu transformá-la de cidade mais violenta dos EUA na menos violenta. Na entrevista, ele comenta que para que seu plano de Governo desse certo, foi necessário olhar para as pequenas coisas. Segundo ele:

Em Nova York, ninguém queria prender o ladrão de rua, só o assaltante que levou 1 milhão de dólares de um banco ou o chefe do tráfico. O problema é que tanto o ladrãozinho quanto o adolescente que picha muros estão diretamente relacionados ao chefão do tráfico. Um leva ao outro. Um só existe por causa do outro. Antes de mais nada, cidades degradadas pela violência precisam resgatar a moral, o respeito. O que é seu é seu, e eu não posso pichar. Ponto. Também não posso roubar, nem quebrar, nem vender drogas, nem morar na rua. Sem valores morais, toda a sociedade acaba no círculo do crime, de uma forma ou de outra. Se o respeito volta, o crime adoece.

O que temos aqui é um quadro de completa falta de moral e respeito por grande parte da sociedade. Parar em cima da calçada pode parecer inofensivo, mas degrada a moral a que ele se refere. Um povo que não tem moral e respeito pelas leis, não tem também moral de cobrar uma polícia livre de corrupção (porque esta é parte daquela), nem que os políticos mantenham um mínimo de decoro nas suas atividades. Enquanto não se adotar uma postura desenvolvida de achar feio que descumpre as regras do jogo, enquanto não deixarmos de ser o país do jeitinho e da maladragem, continuaremos chorando milhares de vidas perdidas para a violência ou pelo câncer que não pode ser tratado na rede pública de Saúde.

Pense nisso.

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A Verdade Dói…

Caro leitor, hoje vou falar de política (de novo), mas vou atacar o eleitor. Sim, eu e você, que somos obrigados a cumprir nossas obrigações eleitorais, e fazemos isso da pior forma possível. Falo isso com base nas declarações do deputado Sérgio Moraes (PTB-RS). Segundo ele, “Parte da opinião pública não acredita no que vocês escrevem. Tanto é que nós nos reelegemos”. E o pior de tudo é que é a mais pura verdade.

clown
Eleitor brasileiro

Quando vamos cumprir com nossas obrigações eleitorais, colocamos ou mantemos no poder um sem-número de malandros que se aproveitam do trabalho e do suor do povo para viajar pelo mundo afora, gastar litros e mais litros de combustível, gastar milhares e mais milhares de reais com telefonia, moradia e todos os mimos e mordomias que os parlamentares (Federais, Estaduais e Municipais) fazem questão de esbanjar. É como se de quatro em quatro anos (ou dois em dois) nós assinássemos um atestado de idiotas.

O escandalômetro do Congresso Nacional já marca 51 escândalos nas casas legislativas federais, apenas em 2009. Deputados e Senadores custam verdadeiras fortunas para a Nação e não fazem nada a não ser investigar os desvios de conduta entre si. Não conseguem votar nada de importante ou relevante para o país. Se ganhassem por produtividade já teriam morrido de fome.

Por isso tomei uma decisão prática para a próxima vez que eu for obrigado a assinar meu atestado de idiota: votarei nulo em todos os cargos do Legislativo.

Foto: _gee_

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Lista de Escândalos do Congresso em 2009

O site UOL, que vem mostrando com frequência as picaretagens que vêm sendo realizadas no Congresso Nacional, hoje compilou todas as denúncias de escândalos que já assolaram as casas legislativas durante os quase 4 meses transcorridos em 2009. A lista soma 33 ocorrências, da Câmara e do Senado Federal, e não poupa legisladores de esquerda ou de direita; de governo ou de oposição. Na lista consta até uma filha do ex-Presidente da República Fernando Henrique Cardoso: a moça trabalha em casa, para o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), com a desculpa de que “o Senado é uma bagunça”.

congresso_nacional

A cada dia que passa, tenho mais certeza que o Poder Legislativo, no nosso país, deve ser abolido. A produtividade é quase nula em relação aos milhões e milhões que são gastos para sustentar as mordomias de um bando de parasitas do país. A situação é tão podre que eu estou quase perdendo a fé de que exista alguém honesto e trabalhador na Casa do Povo.

Não costumo fazer posts republicando conteúdo, mas este é por um motivo nobre. Quanto mais pressão for feita no sentido de moralizar as casas legislativas de todo o país, mais os detentores de mandato se sentirão pressionados para trabalhar pelo povo, e não ter o povo como seus coinstar financial statements Coinstar Money Transfer, BENIN, PORTO-NOVO
servos e patrocinadores.

Monitor de Escândalos no Congresso 2009 – UOL NOTÍCIAS

Foto: marcelometal

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Citação Indireta

Nos últimos dias ando sem inspiração para escrever com a frequência que mantive durante o ano passado. Mas durante uma semana venho segurando a publicação deste post, e a cada dia que passa tenho mais certeza que ele é verdadeiro e tem seu valor.

Eu estava lendo o livro Código da Vida, de Saulo Ramos – ótimo livro por sinal. Não vou resenhar ou resumir o livro, pois não é essa a intenção, mas digo que ele foi escrito por um grande jurista que viveu de perto a consolidação da democracia do Brasil. Ele era parte do poder mas não era político. E isso faz toda a diferença, pois o político está preocupado com as próximas eleições, quase sempre. No livro ele faz uma citação de uma outra citação de Arnaldo Jabor de um trecho de “As Farpas” de Eça de Queiroz. E aqui eu vou continuar a “corrente” citatória:

“O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Não há princípio que não seja desmentido nem instituição que não seja escarnecida. Já não se crê na honestidade dos homens públicos. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os servidores públicos abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas idéias aumenta a cada dia. A ruína econômica cresce, cresce… A agiotagem explora o juro. A ignorância pesa sobre o povo como um nevoeiro. O número das escolas é dramático. A intriga política alastra-se por sobre a sonolência enfastiada do país. Não é uma existência, é uma expiação. Diz-se por toda parte: o país está perdido!”

O mais escandaloso de tudo, é que este parágrafo que retrata nossa realidade foi escrito em 1871. A realidade dos aspectos estruturais do nosso país parece não ter evoluído ao longo desses 138 anos. Não se acredita em políticos, não há respeito sequer dentro da família, o povo continua com sua habitual ignorância política, social e cultural. Vivemos em um país de revoltados inertes (e eu me incluo) que não fazem nada de concreto a não ser reclamar e reclamar.

Assistimos pessoas morrerem por não serem atendidas em diversos hospitais, à míngua; vemos o crime sendo praticado impunemente; crianças sem direito à educação por falta de escolas ou de transporte que as conduza; outras caminhando quilômetros para chegar à sala de aula; vemos políticos roubando descaradamente os recursos que deveriam ser gastos para esses fins.

gnu

E tudo isso nos revoltando internamente. Não lutamos para que mude. Em todas as eleições os mesmos políticos que nos revoltam são eleitos. O povo tem memória de gambá ou estão todos afetados do juízo? Ou somos como os gnus na savana que assistem conformadamente os leões atacarem seus pares?

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