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Tag: DF

Ônibus no DF: Uma Amarga Piada

Quem depende de transporte público no DF vive dia após dia em uma roleta russa sobre rodas. Os riscos são vários: assaltos (mais de 700 em 2008), risco de quebra e o risco constante de acidentes. Quem vê pensa que estamos falando de um favor que o povo está recebendo das autoridades que andam em carros zero quilômetro pagos com o dinheiro do povo que tem que andar de ônibus, também.

Essa semana, o assunto da vez foi um ônibus que tombou embaixo de um viaduto próximo ao aeroporto. Uma mulher morreu, e dezenas de pessoas ficaram feridas, algumas gravemente. O motorista já havia sido demitido uma vez da empresa por excesso de multas por excesso de velocidade, mas foi readmitido. O estado de conservação do veículo também era dos piores possíveis. Pneus carecas e problemas nos amortecedores. O resultado desse mix foi visto às 7:30 com 17 ambulâncias mobilizadas e 3 hospitais recebendo os feridos.

Essa semana, também ocorreu outro fato que seria espetáculo garantido no circo dos horrores do transporte público. Um ônibus quase da minha idade ficou parado no meio da rua depois que seu tanque de combustível simplesmente caiu. Isso mesmo! Caiu! E vazou todo o combustível no asfalto. Não entendo muito de mecânica, mas acredito que para um tanque de combustível chegar a cair, o estado de conservação de um veículo deve ser dos piores.

Além disso, quando se tem um ônibus que consiga chegar ao destino, o passageiro já passou por uma dose de maus-tratos. Primeiro porque na maioria das vezes os ônibus andam tão abarrotados de gente que latas de sardinha são um verdadeiro resort. Além disso, quando o usuário consegue um lugar para sentar, caso ele tenha 1,80m como eu ele provavelmente vai sentir muitas dores nos joelhos por conta do minúsculo espaço entre as cadeiras. Falo por experiência e dor próprias.

O governo faz propagandas de novos ônibus, de integração, mas na verdade o passageiro que paga uma das passagens mais caras do país ainda é tratado como um animal qualquer, sendo levado de um canto para o outro sem as menores condições mínimas de conforto ou de segurança. Ônibus velhos e mau cuidados sendo dirigidos por uma maioria de motoristas que levam essas bombas ambulantes sem respeitar sequer a distância de segurança para o carro da frente. Que confiam em freios de mais de 15 anos como se fossem Brembo de uma F1. Só para lembrar, o passageiro PAGA.

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Brasília não é o Congresso Nacional


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Segundo estimativas do IBGE, o Distrito Federal possui aproximadamente 2,5 milhões de habitantes. Dentre esses, temos 81 Senadores da República e 513 Deputados Federais, além do Presidente da República, seus Ministros, assessores, membros do Judiciário, e muitas pessoas que fazem a máquina pública funcionar. A imprensa tenta com relativo sucesso mostrar que isso é Brasília, mas de fato não é!

Não se pode classificar toda uma cidade tomando apenas um ínfimo pedaço de terra. É certo que as mais importantes decisões políticas do país são tomadas aqui, mas ultimamente o povo brasiliense vem sendo igualado com extrema injustiça àqueles políticos corruptos que agem em favor de seus próprios bolsos e contra a nação. Quem mora em Brasília não tem culpa se os larápios de outros Estados desembarcam aqui, por força do voto popular de quem fala depois que o “ar de Brasília cheira a corrupção”. Ora, de todos os Deputados e Senadores, apenas 11 foram eleitos aqui. E os outros 583? Foram importados.

Além do mais, aonde fica os outros 2,5 milhões de pessoas, que acordam cedo, pegam um ônibus super lotado para poder chegar ao trabalho de onde tiram o dinheiro para pagar as contas no final do mês? Que lutam diariamente para sair do cheque especial, pagar o colégio dos filhos, a comida. Como fica quem precisa ir a um hospital e encontra um verdadeiro  inferno? Essas pessoas, ao contrário do que muita gente imagina, não conhece o Presidente, nem toma chá das 5 com Deputados ou Ministros. Não jogam a famosa pelada da Granja do Torto, nem vão visitar o Palácio da Alvorada nos fins de semana.

Talvez o lugar da Esplanada que mais seja parecido com o que realmente é o DF é a rodoviária, no começo da noite. Lá se vê as pessoas exaustas, esperando outro ônibus lotado para poder chegar em casa depois de uma hora e meia de viagem. Me desculpem pelo desabafo, mas é nojento ver na tv o tempo inteiro repórteres do eixo Rio-São Paulo esteriotipando o povo brasiliense, como se todos aqui fossem culpados pelo fracasso que é a escolha popular de seus representantes.

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Banheiro público em Brasília

Quem mora em Brasília e tem menos de 20 anos provavelmente nunca viu um banheiro público na cidade. Eu mesmo nunca havia visto um. Sempre que preciso de um banheiro, corro para um Shopping, ou para um bar conhecido, etc.. Ou então cria-se o hábito de sempre ir ao banheiro antes de sair de casa ou do trabalho ou de onde quer que esteja.

Mas quarta-feira eu tive que ir a Taguatinga, de metrô (sim, Brasília tem metrô, e muita gente usa) e desembarquei na Praça do Relógio. Quando olhei para o lado direito, vi um banheiro público! Eu quase não acreditei e até tirei uma foto:

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Este é o primeiro banheiro público que eu vejo no DF. Parabéns à administração de Taguatinga por mantê-lo, e que os outros administradores sigam o exemplo. A população não tem que depender da boa vontade dos comerciantes para poder usar o banheiro.

 

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ê Português

O Arraial do Coturno aconteceu nos dias 7 e 8 de Junho de 2008 no quartel da PM em Sobradinho-DF, e como toda festa junina, haviam várias barraquinhas vendendo comidas típicas de festa junina. Havia também uma tenda mais afastada do palco, onde foi montada uma boate móvel, mas ao preço de 5 reais para ouvir as mesmas músicas que ouço todos os dias no meu celular, preferi ficar na parte mais tradicional da festa.

E como em toda aglomeração social a propaganda por parte dos vendedores se faz necessária, e os erros de Português vêm de brinde. Como no carnaval, eu estava com o celular na mão para registrar a pérola:

 

Caucinha com “U” e Pal com “L”, além do Pressidência que tentaram remendar com fita adesiva. Tudo bem escrever “inté”, “arraiá” e outras palavras do vocabulário junino, mas erros desses são dignos de nota.

Vamos ver o que eu encontro nas próximas festas juninas.

victor_end 

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Já tem carro da Coleta Seletiva Solidária quebrado(!)

Os catadores e carroceiros de Brasília receberam no dia 12 de Maio 13 triciclos com capacidade de carregar 1.200kg de material. Tudo muito bom, notícia no jornal, mas vejam só o que apareceu na minha frente dia 14 de Maio, DOIS dias depois da entrega dos veículos:

O triciclo estava quebrado na via de acesso à L3 Norte, na altura da 608. O homem que está dentro estava tentando fazer o azulzinho funcionar a todo custo, e um outro homem chegou de bicicleta para ajudar. Ainda bem que "Antes de receberem os veículos, os catadores foram capacitados sobre como utilizá-los e como fazer a manutenção do equipamento."

Esse post me caiu no colo…

Notícia da entrega dos triciclos: Correio Braziliense

victor_end

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FELIZ ANIVERSÁRIO BRASÍLIA!

 Brasilia

Há 48 anos um sonho centenário virava realidade. Brasília foi inalgurada em 21 de Abril de 1960 e de lá para cá tornou-se o centro nervoso das principais decisões do país. É fato que o DF como um todo não é nem nunca foi um lugar dos sonhos, mas é um lugar de sonhos. Como o de milhares de pioneiros que para cá vieram e construiram tudo que aqui existe. Como os que vieram depois, deixando seus Estados de origem e muitas vezes a própria família numa angústia de uma volta para que fossem buscados que por muitas vezes nunca ocorreu.

Por hábito chama-se de Brasília tudo aquilo que compreende as Regiões Administrativas do DF. Ora, porque não? Se muitos de seus habitantes dependem da "Brasília" geograficamente oficial para trabalhar, comprar, passear… É algo tão sutil que muitas vezes nem se percebe a divisão que existe no papel. O fato é que existe o Plano Piloto e as Satélites. No mais tudo é Brasília.

Sou filho dessa cidade, nascido no final da Avenida W3 Norte, mais específicamente no Setor Médico Hospitalar Norte. Em Brasília tudo é dividido em setores e quadras. Não há ruas, com nomes de pessoas que muitas vezes nunca ouvimos falar. E ainda tem gente que vem de fora e diz que andar em Brasília é muito difícil pois tudo parece muito igual. Se um sujeito está na 110 Norte, por exemplo, ele tem de um lado a 109 e do outro a 111. E acima a 310 e abaixo a 210. O que há de difícil nisso?

Depois de descrever um pouco da minha cidade, vamos às comemorações. Primeiro vou falar sobre a 2ª Maratona Brasília de Revezamento, onde corri sob um sol escaldante por aproximadamente 5Km. O percurso total era composto por 4 voltas de 10,5Km; e era percorrido por corredores individuais ou equipes com 2, 4 ou 8 participantes. A minha era com 8 integrantes. Além disso, haviam vários brinquedos e diversão para as crianças. Além disso, ocorreram vários shows como o da banda Capital Inicial, RBD, Leonardo e para fechar, Chiclete com Banana.

Pelos cálculos da Polícia Militar, cerca de 1,2 milhão de pessoas passaram pela Esplanada dos Ministérios hoje, e não houve nenhuma ocorrência mais grave e nenhuma briga ou tumulto até as 22:00h, o que mostra que o brasiliense realmente procurou ter um dia de alegria.

Nota:

Fica aqui registrado meu total desagrado com a emissora Rede Globo de Televisão, por tratar a Capital do Brasil como uma cidade perdida no meio do nada onde se respira apenas política e as pessoas vão embora aos fins-de-semana. Brasília é uma cidade importante para o país e merece muito mais cobertura na mídia nacional que um simples texto de 4 linhas no Jornal Nacional. O que será que o Rio de Janeiro tem de tão superior que mereça ser vendido da forma descarada que o é? É uma tremenda falta de profissionalismo isso que se faz com o restante do país. Afinal, o Rio não é sequer 15% das pessoas que vivem em nosso país, mas tem uma preferência enorme sobre os outros 85%. Acho que já passou da hora de perceber que a Capital do País mudou para Brasília, e os tempos em que tudo girava em torno da Capital também já se foram.

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Estudar pra quê?

Hoje tive acesso ao salário de três categorias profissionais de extrema importância no Rio de Janeiro e no Brasil como um todo. No Rio, um soldado da PM começa recebendo R$ 818,54. Um professor da rede pública de ensino recebe R$ 736,00 e um médico com especialização em pediatria começa a carreira na rede pública recebendo enrte R$ 700 e R$ 1.200,00.

Vale lembrar que um coronel da PM do RJ recebe R$ 5.521,24; menos que um subtenente no DF. Vale ressaltar também que para se tornar licenciado em qualquer curso superior e poder se tornar professor de Ensino Médio, deve-se estudar pelo menos 4 anos numa faculdade. E para se tornar especialista em pediatria geralmente levam-se 10 anos depois de passar no vestibular.

Só para efeito de comparação, no DF, para se fazer um bom curso de Medicina numa boa faculdade particular é necessário desembolsar pelo menos R$ 2.000,00 por mês. Durante os 6 anos de curso, lá se vão pelo menos R$ 144.000,00. E há casos em que um curso desses custe mais de R$ 300.000,00 ao final de tudo, contando todos os gastos. Se no Rio se gasta (por baixo) R$ 150.000,00 para se formar, mais todos os outros custos até que o profissional se torne especialista em pediatria, ele levaria 10 anos e 5 meses para recuperar o investimento, sem gastar nem um centavo com alimentação, transporte ou vestuário.

Olhando por outro lado, um Deputado Distrital recebe, por mês, R$ 12.400,00 de subsídio, R$ 11.250,00 de verba indenizatória, R$ 90.000 de verba de gabinete e R$ 10.000,00 para gastos com correspondências. Somando tudo, temos um montante de mais de R$ 120.000,00 por mês à disposição de um ÚNICO Deputado Distrital. É o que um médico no Rio demoraria 8 anos e 4 meses para receber. E há muitos deputados em Brasília que mal terminaram o Ensino Médio.

Conclusão: Não vale a pena pensar em estudo como investimento nesse país. O melhor investimento que existe aqui é entrar para a política e se tornar um cidadão eleito pelo povo. É muito mais rentável que qualquer outra profissão de assalariado.

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