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Por Que a Monarquia Não Volta?

Atenção: Este post possui altas doses de ironias, verdades e desabafos. Caso queira saber o que penso sem delongas, veja meu primeiro comentário.

Vivemos em uma República Federativa, em Estado de Direito, e sob princípios democráticos. Muita gente morreu para que pudessemos chegar a este ponto, talvez mais morreram por causa da democracia e do Estado de Direito que por causa da República, mas de uma forma ou de outra, são conquistas que fazem parte de nossa história. Mas eu quero viver em uma MONARQUIA ABSOLUTISTA! Não, eu não estou ficando doido, e vou te mostrar.

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O povo brasileiro comparece às urnas a cada 2 anos (ou a cada 4 se for eleitor do DF) para eleger pessoas teoricamente iguais em direitos e deveres para que sejam representadas pelos próximos 4 anos (ou 8 para Senadores). Além disso, quase todas as pessoas com condições mentais suficientes (clinicamente falando) podem votar. As exeções são poucas. Além disso, o povo pode propor leis para os legisladores (aqueles eleitos do início do parágrafo) que podem aprová-las.

Outra diferença entre a Monarquia Absolutista e a República é a não-hereditariedade dos cargos públicos. Ou seja, se o Presidente morre ou renuncia ao cargo, seus herdeiros não tem direito de reclamá-lo para si. Isso vale para servidores públicos, agentes políticos, militares e todos aqueles que exercem qualquer função pública. Ainda falando em cargos públicos, nossa Constituição prevê que os cargos públicos devem ser preenchidos por aqueles que foram aprovados em concursos públicos para os respectivos cargos, e também proíbe o nepotismo – contratação de pessoas com certo grau de parentesco – no serviço público.

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E já que falamos em Constituição, devemos lembrar que ela é a lei máxima do nosso país. Nem os tratados internacionais que o Brasil assinou estão acima dela. E essa mesma Constituição deixa bem claro no seu 1º artigo: “Todos são iguais perante a lei”. Tomamos essa idéia emprestada da Revolução Francesa, que pregava igualdade, liberdade e fraternidade, exceto sob a guilhotina. Esquecemos de tomar emprestado o manual de civismo dos franceses (se bem que não deve ser muito melhor que o nosso).

Mas vejam bem a realidade do nosso país. Aqui, os políticos são conhecidos pelo sobrenome: Calheiros, Magalhães, Sarney, Roriz, Neves, entre vários outros espalhados Brasil a fora. Alguns deles são chamados de “coronéis”, não em referência àqueles que construíram uma carreira nas Forças Armadas ou nas Polícias Militares, mas aos de um tempo onde o chefe de Estado se sentava em um trono. Aqueles coronéis assumiam o título por indicação de alguém bastante influente em uma região, e seu poder era transmitido aos seus herdeiros. Hoje em dia, os “Filhos”, “Netos” e afins continuam recebendo o poder político de seus ascendentes, e se perpetuando no cenário político.

As nomeações políticas também correm soltas no nosso Império, digo, no nosso País. Na Câmara Legislativa do DF, onde nada se produz além de leis inconstitucionais e CO2 dos carros oficiais, o número de servidores comissionados é muito, mas muito acima do que é permitido pela pobre e desrespeitada lei. E tenho certeza que isso acontece nos seus Estados, caro leitor.

Outro aspecto que comumente é atribuído ao regime republicano e democrático, e que os políticos e juízes adoram citar é o da separação dos poderes. Ele foi sintetizado por Montesquieu no século XVIII. Mas se olharmos para a nossa realidade, vemos que o Presidente precisa mendigar apoio no Congresso Nacional para poder governar o país, e agora também vem atuando como bombeiro de crise, sempre tentando abafar incêndios. Isso é controle de um poder pelo outro, de forma extra-constitucional.

Falando em poder, o Judiciário do nosso país nunca esteve tão desacreditado. A situação é tão trágica, que juristas não têm mais o menor medo de dizer que o Judiciário brasileiro é preconceituoso contra quem não tem poderes econômicos ou políticos. Aqui no DF, por exemplo, o resultado do julgamento de um ex-governador (que provavelmente voltará ano que vem) era conhecido por metade da população antes mesmo de acontecer. E não estou falando em saber se o réu seria condenado ou absolvido (o que aconteceu), estou falando em saber o placar e os votos dos Desembargadores que livrariam a cara do político.

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Agora, a crise do Senado. Agora não, pois esse assunto parece os furacões do atlântico norte americano: vem de tempos em tempos e causa grandes estragos. Dessa vez, o Presidente da Casa está escapando de mansinho, como quer o Presidente Lula (já falei da separação dos poderes?). O Conselho de Ética, claro, não tem ética nenhuma, a começar por seu Presidente de encomenda. Alguém já viu em alguma escola alguém de uma sala entregar a cabeça de um colega de graça para a turma do lado? Eu, nunca. É muito claro que nada vai acontecer no Senado, e todos os eleitos, com ou sem votos, terminarão seus mandatos nas calmas águas da República. E ainda somos obrigados a ver todos os dias o show de merda no ventilador que tomou conta “cumbuca emborcada”. Parecem verdadeiras lavadeiras.

Chego ao final e pergunto a você: nossa República capenga serve para alguma coisa? Sinceramente, acho que não. Todos os dias nos empurram goela abaixo que vivemos em um país democrático, que vivemos sob princípios republicanos, mas tudo que vejo é um Império de mentiras. Vejo o mesmo coronelismo que rompeu com Dom Pedro II quando enxergou melhores oportunidades de faturamento com a República. O mesmo panelismo que existia no início do século passado. Em nome da democracia temos que sustentar uma cambada de pseudo-alfabetizados a preço de ouro. Vejo nossa Constituição sendo usada como papel higiênico pelas pessoas que mais deveriam respeitá-la (e muitas delas redigiram-na).

Você por acaso sabe quais são as experiências e qualificação do candidato a Deputado Federal em quem você votou? Você contrataria uma pessoa para trabalhar sem sequer saber se ela concluiu o Ensino Fundamental? Saiba que existem Deputados que não sabem nem quantos metros de fronteira o Brasil faz com o Chile (na verdade, não faz). Mas você paga fortunas de celular, correspondência, moradia, auxílio-paletó, combustível, motorista, e uma trupe de assessores e fantasminhas para esses pobres coitados. Só para constar, um médico ao se formar já tem mais de 18 anos de estudo, e seu salário não faz nem cócegas no salário de um Parlamentar. Quem traz mais benefícios para a nossa sociedade?

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É pensando de forma racional, nos benefícios e malefícios de cada ente da nossa sociedade, que realmente vamos conseguir sair desse sistema político arcaico, herdado das práticas medievais portuguesas, dos favores, do pendurismo, da hereditariedade. Poderemos deixar de ver nossa Constituição ser rasgada todos os dias. Pense nisso.

Imagens:
1ª: stuartpilbrow
2ª: killfile
3ª: hiabba
4ª: leonelponce

3 Comments

  1. Tava pensando em um sistema menos absoluto, menos em condição de recriarmos O Príncipe de Maquiavel.
    Seja como for, acho que essa coisa de gestão política deveria ser como gestão em empresas: errou caiu fora, fica queimado no mercado e mesmo abrindo sua própria empresa, correrá o risco de ser submetido e condenado pelo júri popular.
    Eu não sou tecnocráta, nem de direito, menos ainda da esquerda, longe de mim ser anarquistas, apesar de flertar e muito com eles. Sou simplesmente um ser humano cansado de tanto cinismo e confabulações em nome de uns trocados sujos. É dinheiro em cueca, mensalinho, mensalão, Collor e Lula juntos, Serra atacando ministra presidenciável… se na mão de vçarios está assim, imagina nas mãos de um só?!
    Abraço e adorei teu site

  2. Aos que chegaram até aqui, gostaria de deixar claro que esse post é um desabafo irônico. Nele eu quero mostrar como a nossa democracia é uma farsa. Ela está imersa na mesma podridão que fedia nos porões dos navios que trouxeram a Família Real ao Brasil, e com a mesma podridão que infestou o Palácio do Catete nos primeiros anos da nossa República. Só mudaram os atores. A peça continua com o mesmo cenário macabro.

  3. Tales Tales

    Esse blog tem toda razão, sou a favor sim da volta da monarquia constitucional. Uma coisa que os brasileiros esquecem, ou não gostam ou não querem lembrar, a nossa raiz é MONÁRQUICA. Nascemos como uma monarquia, queiram isso ou não. Está no nosso sangue, não há como voltar atrás.

    O golpe da proclamação da república é tão ridículo, que quando o marechal Deodoro chegou para expulsar a família real, ele disse “Viva o Imperador”. Desse momento em diante, já daria para ver o quanto nossa nascente república teria nada de democrática, gerando as favelas, inflações, encilhamento, revoltas, como a da Armada, que queria a volta da monarquia.

    O Brasil acabou perdendo todo o prestígio que conseguira na época imperial, tanto dos Estados Unidos quanto da Europa. Assim afirmou James Watson Webb, o ministro dos Estados Unidos para o Brasil em 1867: “O Brasil é, ao lado de nós mesmos, a grande potência no continente americano”.
    Em 1844 por John C. Calhoun, o então Secretário de Estado dos Estados Unidos disse sobre o Brasil imperial de Dom Pedro II: “Ao lado dos Estados Unidos, o Brasil é o mais rico, o maior e mais firmemente estabelecido de todos os poderes americanos”.

    Sou a favor do Brasil próspero, avançado, soberano e preocupado com os seus cidadãos, independentemente do sistema de governo. Porém, se o governo republicano presidencialista fracassou nesses quase 127 anos no seu propósito de democracia e liberdade, com vários golpes militares, corrupções, economia, inflações, o surgimento das favelas e o descaso para com elas e a nítida desigualdade social, fico totalmente ao lado da monarquia e do nosso imperador.

    “VIVA A MONARQUIA, VIVA AO IMPERADOR”

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