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“Eu podia tá matando, eu podia tá roubando…”

Quem nunca ouviu essa frase? Caso exista, deve ser um caso raro. É extremamente comum estar em um ônibus e entrar uma pessoa e começar: “Senhores passageiros, eu podia tá matando, eu podia tá roubando, mas eu tô aqui, pedindo a sua colaboração.” Claro que existem pessoas que pedem por necessidade, e fariam de tudo para não ter que se humilhar todos os dias para conseguir o de comer. Mas também existem centenas de picaretas, que usam da intimidação para tentar ganhar dinheiro fácil com o suor dos outros.

Vejam bem como é um caso culturalmente importante: quem usa essa oratória pensa, ainda que no subconsciente que pode ameaçar outras pessoas pois nada irá acontecer. O sentimento de impunidade que impera no nosso país faz com que pessoas ameacem outras de morte, faz com que tenhamos que pagar flanelinhas todas as vezes que estacionamos em um estacionamento público por medo que risquem nossos carros. É o sentimento de impunidade que faz com que pessoas sejam espancadas dentro de casa, pois os agressores sabem que irão pagar penas alternativas, se chegarem a ser condenados.

É esse sentimento de impunidade que leva políticos a corromper e ser corrompidos, pois sabem que existe uma lei falha que os protege. E que têm a cara de pau de aparecer depois do turbilhão e pedir o seu voto. E serem eleitos depois, pelo mesmo povo que assiste seus direitos a saúde, educação, segurança, emprego e lazer serem esmagados a uma queima de fogos no ano novo e pão e leite no café da manhã.

Durante as aulas de história no ensino médio, um fato que me mostra claramente o poder que o povo tem é a Marcha sobre Roma, em que os italianos conseguiram substituir um regime de governo por pura pressão popular. Aqui no Brasil nos orgulhamos de colocar 80 mil pessoas no Maracanã num domingo, mas enquanto isso não conseguimos organizar uma simples passeata para protestar os 80 mil reais que um Deputado Distrital recebe de verba de gabinete. Talvez falte um líder, um Ghandi tupiniquim para poder abrir os olhos desse povo.

Foto: Jonas B

6 Comments

  1. Texto primoroso! Precisamos de mais ação e menos reclamação. É engraçado como em todos os lugares têm gente reclamando que os políticos nos roubam e ao mesmo tempo essas mesmas pessoas elegem os mesmos políticos para passar os anos seguintes reclamando. Já quando se trata do seu time co coração as pessoas vão lá, invadem o treino, ameaçam os jogadores. Porque não existe isso (não estou incitando a violência) na política? É mais grave o nosso time fazer corpo mole ou o político em quem votamos nos roubar diariamente o suado dinheiro que pagamos de impostos?

    Abração

    Último post de Rodrigo Piva –> Vanity Fair: Fotos Históricas

    • Perfeito seu comentário! Quando eu falei em um Ghandi, foi porque estamos cheios de líderes vira-a-casaca no Brasil. Mas às vezes eu acho que com o código jurídico do Brasil, nem o Ghandi conseguiria fazer alguma coisa. Todos falam em reforma política, reforma da CLT, mas ninguém fala em fazer um novo conjunto de leis, para substituir esse que tem mais brechas que uma casa de pau-apique.
      Abração

  2. Querido, que texto interessante, isso é bem verdade, pois aqui na cidade de Manaus onde moro, é comum vermos isso todos os dias ao pegar o ônibus. Muitas das vezes são pessoas jovens, crianças que vendem bombons para ganhar o seu sustento.
    E infelizmente nossos políticos, mais roubam do que fazem algo de útil pela população. Já não sabemos mais em quem confiar na verdade.
    Grande abraço.

    Último post de Ligiane –> Caso ELOÁ: O seqüestro e morte da menina, poderia ter sido evitado?

    • Exato! Como podem existir políticos tão cara-de-pau a ponto de roubar o dinheiro que deveria ir para a educação dessas crianças e depois aparecer na casa dos pais pedindo voto? Vivemos uma crise de cinismo no poder público.

  3. Maria Brígida Maria Brígida

    Esses politicos são safados mesmo, mas tem muita rapaziada por ai que também não querem estudar, já vi reportagem de pessoas que sairam do nada e hoje são pessoas com vida resolvida. Esses motorista de ônibus parece que ganha comissão é só não deixar entrar. Parabéns pela abordagem do tema.

  4. Roberto A. R. de Mello Roberto A. R. de Mello

    Em tese tudo o que foi dito acima tem pertinência. Porém, imaginar que o putsch conhecido como a “marcha de Roma” como sendo uma autentica manifestação popular é simplesmente esquecer o mal que isso causou à Itália. O fato que o esquerdismo é ruim não implica que o fascismo seja bom, e o fato é que a Marcha sobre Roma foi uma vasta manifestação fascista, com característica de golpe de estado, de direita, ocorrida em 28 de outubro de 1922 na capital da Itália, com o afluxo na cidade de dezenas de milhares de militantes fascistas que reivindicavam o trono da Itália. Este evento representou a ascensão ao poder do Partido Nacional Fascista (PNF) e o fim da democracia liberal, pela nomeação de Benito Mussolini como chefe de governo pelo Rei Vítor Emanuel III. O fim do fascismo, como sendo um regime intrinsecamente mal, deu ensejo a que o esquerdistas que havia entre os partigiani fossem alçados como anjos querubins desejados como donos de todas as virtudes o que fez com que a Itália até hoje se debata em paradoxos e perplexidades mal resolvidas que desembocaram numa esquerda obtusa cujo mais proeminente guru é o Antonio Gramsci, o mentor intelectual dessa petezeda e dos supostos guerreiros da democracia que a buscavam pela violência, nos anos de chumbo. Não nos equivoquemos com regimes de força. O regime que tivemos com os militares foi muito longe anos luz do que houve na Alemanha nazista ou na Itália fascista e no final, viram só o que deu, desembocou no oportunista do Sarney virando presidente da Republica. Temos que consertar o pais na democracia, aos poucos para que o resultado seja duradouro. Não podemos permitir as prevaricações, impono-nos erradicar a corrupção na politica, mantendo sempre livre a imprensa e apostar, como ultimas fichas, todo o cacife que dispusermos na educação das massas, para ficarmos livres das tentações do fascismo, no segmento da direita, e das utopias igualmente enganosas do comunismo no viés de esquerda. Nenhum radicalismo presta.

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