Quanto vale sua profissão?

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Eu tenho uma pergunta que há muito tempo circula na minha mente: Quanto vale a sua profissão para a sociedade? Não exclusivamente em termos monetários, mas em importância. Por exemplo: os carteiros estão em greve há pouco mais de uma semana, e quase toda a sociedade está rezando para que a paralização acabe. A greve dos fiscais da Receita Federal também gerou grandes transtornos, mas mesmo assim durou muito tempo. Greve de garis também não duram muito tempo.

Porém, as greves de professores e servidores da educação geralmente duram mais de 60 dias e os resultados alcançados não são lá essas coisas. As últimas duas da UnB, que tive o desprazer de vivenciar, duraram mais de 80 dias e ninguém deu bolas. Parece que a Universidade, de onde saem os profissionais mais importantes do país, não faz falta à sociedade.

Agora a situação oposta: Na imprensa internacional há uma chuva de matérias falando sobre a possível greve dos funcionários da Petrobras, o que pode diminuir pela metade a produção de petróleo do Brasil. O medo parece ser maior lá fora do que aqui. Os americanos em especial parecem estar roendo as unhas por conta dos efeitos que essa greve poderia ter no preço do barril de petróleo. Para se ter uma idéia do estrago que poderia ser feito, apenas o rumor de greve foi suficiente para elevar o preço do barril em US$5 semana passada. Some-se a isso o aumento de consumo do óleo por China e Índia e questões políticas nos países africanos e a instabilidade na política externa no Oriente Médio. Greve de funcionários da Petrobras é tudo que o mundo não quer.

Aí vemos o quanto os profissionais da Petrobras passaram de um nível de importância nacional para um nível mundial. E se analisarmos alguns anos atrás, todos eles estavam sentados em um banco de escola e vários sentaram nos bancos de uma Universidade pública. E ainda tem gente que não vê a importância de um professor.

Referência: 24/7 Wall St.

O sistema de cotas nas Universidades Federais faz sentido?

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black and white in black and white, por iMollo

Foi implantado, a partir do 2º Vestibular de 2004 da Universidade de Brasília o sistema de cotas para negors, que reserva 20% das vagas de todos os cursos para candidatos negros. Na época da criação do sistema e até hoje, muito se ouve falar sobre inclusão racial em um país como o nosso, onde os negros não têm vez.

Porém, quase 4 anos depois da implantação do sistema, este se mostrou falho e ineficaz em vários aspectos. Primeiramente o método de classificação do candidato em negro ou não. Depois de um episódio em que dois irmãos gêmeos tiveram classificações distintas (um branco e um negro) a própria Universidade resolveu alterar o critério de classificação. Antes, o candidato ao sistema de cotas era fotografado e uma banca examinadora avaliava se ele era ou não negro. Agora, ao invés de fotos, os candidatos deverão comparecer a uma entrevista em até 15 dias após a realização das provas objetivas. Mesmo assim, o critério ainda parece muio pouco científico e tende a ser muito subjetivo.

Em segundo lugar, a criação das cotas pode gerar uma exclusão ainda maior para aqueles que não tiveram condições de frequentar uma boa escola e tem a pele clara. O jornal Campus em sua edição nº 325 apresentou a matéria “Cotas para quê?” onde a manutenção das cotas é defendida, inclusive com a manifestação de dois especialistas favoravelmente ao sistema. Mas no mesmo artigo, pode-se notar que a tão sonhada inclusão passa muito longe de ser alcançada com o modelo vigente.

No sexto parágrafo do texto, são apresentados dados do Ipea (Instituto de Pesquisas econômicas Aplicadas) que afirmam que entre os 15 milhões de analfabetos do país, 10 milhões são negros. Além disso, da população total, 53% dos pobres são negros. Pela ótica do jornal, ao que parece, os 5 milhões de pessoas analfabetas e não-negras do país não merecem atenção, nem os 47% da população pobre que não é negra. O jornal ainda afirma: “Seja classe ou seja cor, os números nos permitem ver que negros e pobres, no Brasil, são as mesmas pessoas.” Mas eu não consigo ver que um conjunto sem 1/3 de seus membros e outro sem 47% das pessoas sejam a representação fiel da realidade.

Que futuro terão essas pessoas ceifadas da classificação negra terão, se continuarem vivendo excluídas até dos processos de inclusão? Mais além, a Coordenadora do Núcleo de Promoção da Igualdade Racial da UnB, Srª Déborah Santos afirma: “O que não entendem é que as cotas são políticas temporárias, não são eternas.” Mas em um país como o nosso, sabemos que muitas e muitas coisas começaram como temporárias, e se perpetuam até hoje, como a alíquota de 50% do FGTS na multa recisória para cobrir os rombos dos planos econômicos.

Deve-se deixar de lado esse pensamento comunista-adaptado de que há uma definição de classe excluída no Brasil. A exclusão já tomou contornos muito mais complexo que os quadros da UnB conseguem ser riscados. A exclusão começa na Educação Básica, na falta de educação familiar e no terrível Ensino Público. Não adianta tentar consertar uma encanação inteira trocando a carrapeta da torneira. O que se vê pela UnB são milhares de alunos que fazem seus cursos querendo mudar para outros, por conta desse método falho que temos hoje, em que se entra no curso sem a menor noção do que se trata. Isso sim acaba com várias vagas, e exclui muitas pessoas, estejam elas bem preparadas ou não.

Não sou contra o movimento negro, apenas acredito que o sistema de cotas, direcionado para uma única parcela de uma sociedade excluída extremamente diversificada não irá surtir efeitos realmente eficazes a longo prazo.

PS: Não sou eu na foto.

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Fontes: Terra e Universia

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