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Imprensa responsável? Não mesmo!

O caso Eloá expôs uma face amadora e completamente irresponsável da imprensa brasileira. O Terra Magazine fez uma entrevista com Rodrigo Pimentel, ex-comandante do BOPE em que ele afirma que a postura da mídia chega a ser criminosa. É absolutamente absurdo um seqüestrador, em pleno seqüestro, ser entrevistado por emissoras de televisão. Na entrevista, se afirma que o capitão que conduzia as negociações teve dificuldades para entrar em contato com Lindemberg e não conseguiu, pois a Sônia Abrão estava tentando falar com ele. Jornalista e apresentador agora fazem “Negociação de Seqüestros” na faculdade? Na entrevista, Pimentel cita um seqüestro em Nova Iorque, em 1972, em que houve o retorno de um refém ao cativeiro, e a imprensa falava o tempo todo com os seqüestradores.

Hoje de manhã, a Ana Maria Braga telefonou para a Nayara, que estava no interior de São Paulo, provavelmente tentando fugir do assédio da imprensa e querendo descansar um pouco e se desligar do terror que ela viveu. Foi um verdadeiro interrogatório, de cerca de 25 minutos, em que a apresentadora perguntou detalhes sobre o seqüestro, o dia-a-dia no cativeiro, os tiros, a invasão, as conversas com a amiga. Tudo isso por um pouco mais de audiência.

Por isso que sou sim a favor de leis que chamem a Imprensa à responsabilidade de seus atos. Talvez, sem a interferência dos repórteres da RedeTV!, Globo e Record as negociações pudessem ter avançado de uma forma diferente, e o final da história poderia ter sido diferente. A imprensa sabia o que estava fazendo e mesmo assim agiu de forma inteiramente irresponsável por alguns pontos a mais de IBOPE.

Devo também dar meus parabéns ao Datena, a quem já critiquei aqui por sua postura como formador de opinião. Em seu programa, durante o seqüestro ele falou: “Jornalista não é negociador.” E preferiu não entrevistar o bandido, mesmo tendo o número de telefone. Foi muito ética a postura dele, e mudou completamente a forma como eu o vejo como jornalista. Agora só falta ele aprender mais um pouco sobre internet.

Foto: Ernst Moeksis

Até onde vale a pena negociar?

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Com o caso do seqüestro de Santo André ficou uma pergunta que provavelmente muita gente se faz nessas horas: seria melhor a polícia ter matado o seqüestrador logo ou manter as negociações foi a atitude mais correta? Do ponto de vista dos órgãos oficiais, fica claro que a manutenção das negociações tendo em vista tentar salvar as vidas das pessoas envolvidas, incluindo o próprio seqüestrados é a escolha mais políticamente correta. Mas e do ponto de vista do saldo final da tragédia? Quem deveria ter morrido? A jovem que por fim veio ao óbito, ou o seu seqüestrador?

E não adianta dizer que ele era um rapaz que nunca apresentou nenhum desequilíbrio, que ele era querido por toda a vizinhança, ou que ele tinha 2 empregos. O que importa é o que ele estava fazendo: mantendo duas pessoas sob a mira de uma arma. E ainda atirando para fora da janela, assumindo o risco de atingir pessoas que não tinham absolutamente nada a ver com suas frustrações. Ele estava completamente deseqüilibrado, e isso ficou evidente durante as negociações. Então como negociar com uma pessoa naquelas condições?

Ao que me parece, as regras que definem como tratar criminosos só têm servido para proteger as pessoas erradas, enquanto famílias vêm perdendo seus entes queridos para a violência impune desse país. Qual vai ser o destino deste rapaz? Provavelmente será condenado, mas com certeza absoluta não cumprirá toda a pena, pois existem mecanismos diversos para atenuar penas criminais. Enquanto isso a família da jovem morta cumprirá a eterna pena do vazio que ela deixou. Por isso eu acredito que ele deveria ter sido abatido logo nos primeiros sinais de falhas nas negociações.

Foto: markeff66

 

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