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Democracia ou Casa da Mãe Joana?

Meus conhecimentos matemáticos me levam a buscar definições antes de se tirar determinadas conclusões. Então, vamos começar o raciocínio de hoje com duas definições retiradas do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa:

Democracia: 1 governo do povo; governo em que o povo exerce a soberania 2 sistema político cujas ações atendem aos interesses populares 3 governo no qual o povo toma as decisões importantes a respeito das políticas públicas, não de forma ocasional ou circunstancial, mas segundo princípios permanentes de legalidade (…)

Casa-da-Mãe-Joana: mq cu-de-mãe-joana: lugar ou situação em que cada um faz o que quer, onde imperam a desordem, a desorganização; casa-da-mãe-joana, casa-de-mãe-joana.

Red Light

É importante ainda lembrar da invasão de uma fazenda do Grupo Cutrale, em que foram destruídos milhares de pés de laranja e dezenas de máquinas, por parte do Movimento dos Sem Terra, MST. Os integrantes do movimento não cansam de afirmar que lutam por distribuição de terras aos trabalhadores rurais, produzir alimentos para o povo brasileiro, etc. Lógico que eles defendem cegamente os atos praticados por seus integrantes, e claro atacam radicalmente o capitalismo e o capital privado.

Mas isso é direito de todos eles, assegurado pela Constituição. O que preocupa é ver integrantes do Poder apoiar episódios como os que aconteceram na fazenda da Cutrale. No site Terra Magazine, foi publicada uma entrevista ao Deputado Federal Emiliano José (PT-BA). Nela o Deputado mostra como o discurso de uma esquerda atrasada ainda se mostra muito presente na nossa política. Na entrevista, ele diz que não vai iria analisar o episódio da Cutrale, porque não estava presente no momento da invasão. Nem poderia, já que o gabinete dele fica bastante distante de qualquer fazenda.

Na verdade, é conveniente para ele não ter que comentar os absurdos que foram cometidos. Após escorregar por esse assunto, ele disse que a tentativa de instalação de uma CPMI para investigar o MST é um movimento da Casa Grande, que se materializa no PSDB e no DEM. Muito conveniente também desfigurar qualquer movimentação no sentido da investigação em simples lutas partidárias, ou em lutas de classes.

Na sequência, ele afirma que as ações radicais são próprios de movimentos de movimentos como o MST, e que a gravidade dos problemas fundiários do Brasil pedem esse tipo de ações. Também fala d’a importância do MST  para a vida brasileira’.

O pensamento do Deputado se assemelha bastante daquele que Hugo Chávez esbraveja pelo mundo afora, onde os EUA são o demônio e o povo Venezuelano revolucionários em busca da libertação. Em troca disso, eles não podem sequer viajar a outros países e levar seu próprio dinheiro, da forma como bem entendem. É a ditadura em troca da libertação. Paradoxal.

O MST, como vocês sabem, não é uma pessoa jurídica. Não existe CNPJ para o MST. Não existe um MST para se processar. O que se faz, no máximo, é processar alguns de seus líderes. Ora, eu sou plenamente responsável por meus atos desde que fiz 18 anos. Se eu derrubar o muro do vizinho e não reparar os danos, ele tem direito de me processar e exigir seus direitos, ainda que eu alegue que o terreno dele é maior que o meu.

E o discurso de coitadinhos do MST também não convence mais ninguém. Ora, claro que existem pessoas sem terra para cultivar, e que realmente desejam cultivá-la. Mas não são maioria. O que acontece em vários casos, e que já foi fartamente noticiado, é a venda de terras por assentados, que voltam a invadir e pedir por terras novamente.

Eles também se esquecem que é possível sim vencer na vida sem ter nascido na Casa Grande, como o Deputado chamou a elite brasileira. Não faltam exemplos, mas vou citar exemplos de milionários, mas o da minha família, tanto por parte de pai quanto de mãe, que saíram de grande pobreza a uma vida que se pode considerar confortável. Isso foi conquistado em uma época em que não havia Bolsa Família, mas em que as pessoas trabalhavam muito para sobreviver.

E se hoje eu posso escrever este post com um notebook no colo, é porque também trabalho bastante para isso. Também sei o que é injustiça, e como injustiças podem adiar sonhos. Mas nem por isso saio por aí agindo como um bárbaro. O MST não pensa assim. Eles pensam que porque são um “movimento popular” tem o direito de ser acima das leis do nosso país. Eles abstraem o conceito de Democracia para o conceito de Casa da Mãe Joana. Para eles, a legalidade é coisa da Casa Grande, então não deve ser considerada.

Se me perguntarem o que acho do MST, vou responder que tem que ser reprimido, pois não fariam favor maior ao país se deixassem de existir. Destruir propriedades que produzem riquezas ao país e que geram empregos não é atitude de nada que se diga democrático, pois não respeita as leis nem a própria Nação.

Fonte: Terra Magazine e Folha Online

Foto: respres

Por Que a Monarquia Não Volta?

Atenção: Este post possui altas doses de ironias, verdades e desabafos. Caso queira saber o que penso sem delongas, veja meu primeiro comentário.

Vivemos em uma República Federativa, em Estado de Direito, e sob princípios democráticos. Muita gente morreu para que pudessemos chegar a este ponto, talvez mais morreram por causa da democracia e do Estado de Direito que por causa da República, mas de uma forma ou de outra, são conquistas que fazem parte de nossa história. Mas eu quero viver em uma MONARQUIA ABSOLUTISTA! Não, eu não estou ficando doido, e vou te mostrar.

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O povo brasileiro comparece às urnas a cada 2 anos (ou a cada 4 se for eleitor do DF) para eleger pessoas teoricamente iguais em direitos e deveres para que sejam representadas pelos próximos 4 anos (ou 8 para Senadores). Além disso, quase todas as pessoas com condições mentais suficientes (clinicamente falando) podem votar. As exeções são poucas. Além disso, o povo pode propor leis para os legisladores (aqueles eleitos do início do parágrafo) que podem aprová-las.

Outra diferença entre a Monarquia Absolutista e a República é a não-hereditariedade dos cargos públicos. Ou seja, se o Presidente morre ou renuncia ao cargo, seus herdeiros não tem direito de reclamá-lo para si. Isso vale para servidores públicos, agentes políticos, militares e todos aqueles que exercem qualquer função pública. Ainda falando em cargos públicos, nossa Constituição prevê que os cargos públicos devem ser preenchidos por aqueles que foram aprovados em concursos públicos para os respectivos cargos, e também proíbe o nepotismo – contratação de pessoas com certo grau de parentesco – no serviço público.

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E já que falamos em Constituição, devemos lembrar que ela é a lei máxima do nosso país. Nem os tratados internacionais que o Brasil assinou estão acima dela. E essa mesma Constituição deixa bem claro no seu 1º artigo: “Todos são iguais perante a lei”. Tomamos essa idéia emprestada da Revolução Francesa, que pregava igualdade, liberdade e fraternidade, exceto sob a guilhotina. Esquecemos de tomar emprestado o manual de civismo dos franceses (se bem que não deve ser muito melhor que o nosso).

Mas vejam bem a realidade do nosso país. Aqui, os políticos são conhecidos pelo sobrenome: Calheiros, Magalhães, Sarney, Roriz, Neves, entre vários outros espalhados Brasil a fora. Alguns deles são chamados de “coronéis”, não em referência àqueles que construíram uma carreira nas Forças Armadas ou nas Polícias Militares, mas aos de um tempo onde o chefe de Estado se sentava em um trono. Aqueles coronéis assumiam o título por indicação de alguém bastante influente em uma região, e seu poder era transmitido aos seus herdeiros. Hoje em dia, os “Filhos”, “Netos” e afins continuam recebendo o poder político de seus ascendentes, e se perpetuando no cenário político.

As nomeações políticas também correm soltas no nosso Império, digo, no nosso País. Na Câmara Legislativa do DF, onde nada se produz além de leis inconstitucionais e CO2 dos carros oficiais, o número de servidores comissionados é muito, mas muito acima do que é permitido pela pobre e desrespeitada lei. E tenho certeza que isso acontece nos seus Estados, caro leitor.

Outro aspecto que comumente é atribuído ao regime republicano e democrático, e que os políticos e juízes adoram citar é o da separação dos poderes. Ele foi sintetizado por Montesquieu no século XVIII. Mas se olharmos para a nossa realidade, vemos que o Presidente precisa mendigar apoio no Congresso Nacional para poder governar o país, e agora também vem atuando como bombeiro de crise, sempre tentando abafar incêndios. Isso é controle de um poder pelo outro, de forma extra-constitucional.

Falando em poder, o Judiciário do nosso país nunca esteve tão desacreditado. A situação é tão trágica, que juristas não têm mais o menor medo de dizer que o Judiciário brasileiro é preconceituoso contra quem não tem poderes econômicos ou políticos. Aqui no DF, por exemplo, o resultado do julgamento de um ex-governador (que provavelmente voltará ano que vem) era conhecido por metade da população antes mesmo de acontecer. E não estou falando em saber se o réu seria condenado ou absolvido (o que aconteceu), estou falando em saber o placar e os votos dos Desembargadores que livrariam a cara do político.

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Agora, a crise do Senado. Agora não, pois esse assunto parece os furacões do atlântico norte americano: vem de tempos em tempos e causa grandes estragos. Dessa vez, o Presidente da Casa está escapando de mansinho, como quer o Presidente Lula (já falei da separação dos poderes?). O Conselho de Ética, claro, não tem ética nenhuma, a começar por seu Presidente de encomenda. Alguém já viu em alguma escola alguém de uma sala entregar a cabeça de um colega de graça para a turma do lado? Eu, nunca. É muito claro que nada vai acontecer no Senado, e todos os eleitos, com ou sem votos, terminarão seus mandatos nas calmas águas da República. E ainda somos obrigados a ver todos os dias o show de merda no ventilador que tomou conta “cumbuca emborcada”. Parecem verdadeiras lavadeiras.

Chego ao final e pergunto a você: nossa República capenga serve para alguma coisa? Sinceramente, acho que não. Todos os dias nos empurram goela abaixo que vivemos em um país democrático, que vivemos sob princípios republicanos, mas tudo que vejo é um Império de mentiras. Vejo o mesmo coronelismo que rompeu com Dom Pedro II quando enxergou melhores oportunidades de faturamento com a República. O mesmo panelismo que existia no início do século passado. Em nome da democracia temos que sustentar uma cambada de pseudo-alfabetizados a preço de ouro. Vejo nossa Constituição sendo usada como papel higiênico pelas pessoas que mais deveriam respeitá-la (e muitas delas redigiram-na).

Você por acaso sabe quais são as experiências e qualificação do candidato a Deputado Federal em quem você votou? Você contrataria uma pessoa para trabalhar sem sequer saber se ela concluiu o Ensino Fundamental? Saiba que existem Deputados que não sabem nem quantos metros de fronteira o Brasil faz com o Chile (na verdade, não faz). Mas você paga fortunas de celular, correspondência, moradia, auxílio-paletó, combustível, motorista, e uma trupe de assessores e fantasminhas para esses pobres coitados. Só para constar, um médico ao se formar já tem mais de 18 anos de estudo, e seu salário não faz nem cócegas no salário de um Parlamentar. Quem traz mais benefícios para a nossa sociedade?

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É pensando de forma racional, nos benefícios e malefícios de cada ente da nossa sociedade, que realmente vamos conseguir sair desse sistema político arcaico, herdado das práticas medievais portuguesas, dos favores, do pendurismo, da hereditariedade. Poderemos deixar de ver nossa Constituição ser rasgada todos os dias. Pense nisso.

Imagens:
1ª: stuartpilbrow
2ª: killfile
3ª: hiabba
4ª: leonelponce

País dos espertinhos ou Mundo dos espertinhos?

Certas vezes, vejo algumas cenas que me produzem um estalo mental e fico pensando alguns dias sobre nossa sociedade. Não sobre como ela é “materialmente”, mas sim nos seus fundamentos, que talvez possam explicar os buracos sociais que temos. Outro dia, estava passando de ônibus pela avenida W3 sul, em Brasília e ví 2 carros parados no cruzamento e logo em seguida mais um chegando. Todos iam fazer um retorno e estava esperando a chance de entrar. Mas o problema é que usar os cruzamentos como retorno é proibido, e existia um retorno de verdade a menos de 200 metros dali.

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E isso não é um caso isolado. Observe os engarrafamentos em vias com acostamento. Sempre existe um bando de apressados que têm que usar a faixa por onde deveriam passar viaturas e ambulâncias. Sempre aparece alguém querendo se melhor que os outros, como se os que seguem as regras não tivessem pressa, ou não ficassem furiosos ao ver essas faltas de respeito. Como se regras fossem coisa de trouxas, e não uma forma de organizar uma grande quantidade de pessoas a fim de reduzir conflitos.

Quando a lei seca entrou em vigor, pipocaram na tv e nas conversas de botequim várias tentativas de forma de “driblar” a fiscalização. E isso sempre acontece. Sempre estamos em busca de uma forma de não seguir regras. Não fico de fora dessa, pois também dou minhas deslizadas. Mas nada que prejudique outras pessoas, como desvio de verbas de merenda escolar, direcionamento de licitações, conversas maldosas à meia-boca ou gambiarras na rede elétrica.

E quando converso com pessoas que já moraram em outros países, na maioria deles as pessoas que não seguem as regras tendem a ser discriminadas na sociedade, ao contrário do que ocorre por aqui. Para ilustrar, vejam o Campeonato Inglês de futebol. Se um jogador se jogar no chão para tentar enganar o árbitro, ele tomará uma sonora salva de vaias da torcida. Aqui se xinga o “juíz” por não ter marcado a “falta”. Longe de mim querer ser um moralista, mas talvez essa mania de jeitinho brasileiro possa ser a explicação para tamanha corrupção, falta de ética e por vários flagelos deste país. E aí o tiro sai pela culatra do povo.

Imagem: Mykl Roventine