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Tag: atualidade

Citação Indireta

Nos últimos dias ando sem inspiração para escrever com a frequência que mantive durante o ano passado. Mas durante uma semana venho segurando a publicação deste post, e a cada dia que passa tenho mais certeza que ele é verdadeiro e tem seu valor.

Eu estava lendo o livro Código da Vida, de Saulo Ramos – ótimo livro por sinal. Não vou resenhar ou resumir o livro, pois não é essa a intenção, mas digo que ele foi escrito por um grande jurista que viveu de perto a consolidação da democracia do Brasil. Ele era parte do poder mas não era político. E isso faz toda a diferença, pois o político está preocupado com as próximas eleições, quase sempre. No livro ele faz uma citação de uma outra citação de Arnaldo Jabor de um trecho de “As Farpas” de Eça de Queiroz. E aqui eu vou continuar a “corrente” citatória:

“O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Não há princípio que não seja desmentido nem instituição que não seja escarnecida. Já não se crê na honestidade dos homens públicos. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os servidores públicos abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas idéias aumenta a cada dia. A ruína econômica cresce, cresce… A agiotagem explora o juro. A ignorância pesa sobre o povo como um nevoeiro. O número das escolas é dramático. A intriga política alastra-se por sobre a sonolência enfastiada do país. Não é uma existência, é uma expiação. Diz-se por toda parte: o país está perdido!”

O mais escandaloso de tudo, é que este parágrafo que retrata nossa realidade foi escrito em 1871. A realidade dos aspectos estruturais do nosso país parece não ter evoluído ao longo desses 138 anos. Não se acredita em políticos, não há respeito sequer dentro da família, o povo continua com sua habitual ignorância política, social e cultural. Vivemos em um país de revoltados inertes (e eu me incluo) que não fazem nada de concreto a não ser reclamar e reclamar.

Assistimos pessoas morrerem por não serem atendidas em diversos hospitais, à míngua; vemos o crime sendo praticado impunemente; crianças sem direito à educação por falta de escolas ou de transporte que as conduza; outras caminhando quilômetros para chegar à sala de aula; vemos políticos roubando descaradamente os recursos que deveriam ser gastos para esses fins.

gnu

E tudo isso nos revoltando internamente. Não lutamos para que mude. Em todas as eleições os mesmos políticos que nos revoltam são eleitos. O povo tem memória de gambá ou estão todos afetados do juízo? Ou somos como os gnus na savana que assistem conformadamente os leões atacarem seus pares?

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